quarta-feira, 4 de maio de 2011
BUSCA PELO CONHECIMENTO
quarta-feira, 6 de abril de 2011
ATÉ ONDE VAI O AMADORISMO
Com essa frase, a diretoria do Atlético Goianiense justificou a demissão de René Simões do comando técnico da equipe, que conseguiu evitar o rebaixamento no ano anterior e que liderava o campeonato estadual.Virou moda. Agora no futebol a onda é fazer um choque de gestão. Choque de gestão virou desculpa para fracasso, virou desculpa para erro e agora, ainda mais, virou justificativa para o famoso “me deu na telha trocar tudo”.
O futebol precisa, cada vez mais, de uma central de informações e recursos tecnológicos que auxiliem a avaliar, medir desempenho, e forneçam informações que possam ser transformadas em conhecimento. Mas isso não basta, se as pessoas que decidem não souberem o que fazer com elas. Ou, o que é pior, tomarem decisões sem ao menos olhar para informações: o tal “choque” não fará nem cócegas.
Nos últimos anos vimos com freqüência o termo ser utilizado no futebol. Atlético- MG já utilizou, Corinthians recentemente para justificar o fracasso da Libertadores, o Flamengo, o Goiás, enfim, tantos dizendo sem dizer. O futebol precisa aprender com o mercado, porém, não adianta só fazê-lo no nome e da boca para fora. Choque de gestão, em resumo simples, remete a mudança no rumo e na forma de gerir, ou seja, o dirigente que o propõe deve estar amparado em informações para tomar tal decisão e não tomar a decisão e justificar com tal alcunha. Como um choque de gestão pode ser aplicado se não existem parâmetros, critérios e ferramentas que possam avaliar os rumos?
Um técnico com 70% de aproveitamento é alvo de choque de gestão, técnico invicto também, técnico rebaixado, técnico interino, enfim, toda mudança de técnico virou choque de gestão. Independentemente do nome, é importante que as decisões de mudança de rumos, que nem sempre se concretizam com a simples mudança de uma peça (treinador), sejam amparadas com argumentos, informações, dados, análises, critérios, e não apenas no feeling de uns e outros.
O feeling é extremamente importante e não pode ser descartado, porém, os gestores do futebol brasileiro se apegam a ele como justificativa: ”senti que era hora de mudar”. Precisamos de critérios para tomar decisões. Se no futebol os resultados justificam tudo, vamos avaliar resultados, sejam eles de jogo, sejam eles de retorno de marketing, sejam eles de investimentos ou da natureza que for. Caso contrário, vamos ser todos eletrocutados com tanto choque à toa e continuaremos com nossos cabelos arrepiados.
Por: Eduardo Fantato/ Fonte: Universidade do Futebol
sexta-feira, 1 de abril de 2011
TIRANDO DÚVIDAS SOBRE ESTAR APTO A EXERCER NOVA FUNÇÃO
“A faculdade não ensina tática, história do futebol e não forma como treinador. Mas o profissional também deve ter noções de anatomia, pedagogia, psicologia.... É difícil falar quem tem razão”, diz Nogueira Júnior, formado em Educação Física e com especialização em futebol. O que defendem muitos técnicos e dirigentes sindicais é a criação de um curso especial para que um ex-jogador não seja obrigado a concluir uma faculdade para exercer a profissão. “O atleta não consegue conciliar carreira e estudo, e quando pendura as chuteiras não tem mais tempo ou condição financeira para quatro anos de faculdade”. “O ideal seria permissão para iniciar nas categorias de base, e depois de certo tempo ascender ao profissional”, sugere Caio Junior.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
TRABALHO EM EQUIPE
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
NICK VUJICIC - UM EXEMPLO P/ MUNDO
Assistam ao video e lembre-se dele sempre que tiver algum fracasso.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
PROMESSA DO FUTEBOL TEM PERNA AMPUTADA
Sábado, dia 18 de dezembro de 2010. Um grave acidente. O fim de um sonho. Cleilton Reinaldo Alves Costa, jogador do Iape-MA, estava em uma motocicleta em companhia de um amigo quando ambos foram atingidos por um automóvel. Em decorrência do acidente, o atacante de 19 anos sofreu um duro golpe: teve a perna direita amputada. O caminho do jovem atleta no futebol profissional chegou ao fim, mas ele sabe que a alegria por estar vivo deve continuar.- [A perda da perna direita] Não vai afetar em nada. Vou fazer fisioterapia. Vou botar uma prótese. Vou ficar uma pessoa independente dos outros. Vou depender de mim mesmo. Não vai ser uma perna que vai tirar minha alegria. Se Deus quiser, vou superar mais este obstáculo – revelou.
O sonho de ser um grande jogador e atuar por equipes importantes do futebol brasileiro e do mundo foi interrompido. Apesar de saber que não poderá mais fazer o que mais gostava, Cleilton revelou, em entrevista à Rádio Mirante AM, nesta segunda-feira, que o momento agora é de se recuperar e acreditar em novos sonhos.
- Quero me formar em Educação Física e, quem sabe, ser treinador, preparador ou alguma coisa no ramo do futebol – disse.
ACIDENTE
O jogador do Iape deu a sua versão para o acidente. De acordo com Cleilton, a motorista do automóvel, que não teve o nome revelado, foi a responsável pelo acidente. Segundo o atleta, além de a condutora causar esta fatalidade, ela não prestou socorro às vítimas. Dentro do veículo também havia um homem, que seria marido da motorista.
- A gente estava vindo de um aniversário e daí uma mulher num Fiesta fechou eu e meu amigo, que estava pilotando a moto. Ele tentou desviar e ela jogou o carro para cima da gente na contramão. E ela conseguiu pegar só minha perna. No momento do acontecido, os dois [a motorista e o carona] saíram do local. Todos os dois. Eles não prestaram socorro de forma alguma – explicou o jogador.
Cleilton ainda desmentiu ele e o amigo estavam em alta velocidade na motocicleta. O jogador também negou que uma terceira pessoa estivesse na moto, informação revelada pelo cunhado da motorista, em entrevista à Rádio Mirante AM.
- A gente estava a uns 50km. Se a gente estivesse vindo veloz, teria capotado e se acabado num poste – afirmou.
Logo após o acidente, a polícia descobriu que a condutora do veículo dirigia sem carteira de habilitação. No entanto, foi o carona do carro, identificado como Wilton Mendes Gonçalves, quem assumiu que estava dirigindo o automóvel.
- Foi um sonho interrompido devido a um irresponsável que foi dar o carro para uma pessoa que não tem nenhum tipo de responsabilidade, e aconteceu o que aconteceu – lamentou o jogador.
Fonte noticia: Globo Esporte
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
DIRETAMENTE DA ARÁBIA - RENÊ WEBER
O BURACO NO MEIO
Por: Gilmar Ferreira, em 14/01/2011 às 15:48
Em novembro de 2005, o repórter Guilherme Van Der Laars, hoje editor-assistente aqui do Jogo-Extra, ouviu de Renê Weber, então técnico da seleção brasileira sub 20, um alerta que hoje, cinco anos mais tarde, soa como profético.
"Estão matando os meias. Você vai olhar na base, roda o Brasil e não acha. Quase todos os times jogam com três volantes. Não é uma teoria, é estatístico. Não tem mais aquele camisa oito tradicional de antigamente", explicava o jovem treinador, ex-meia de ligação do time do Fluminense campeão brasileiro em 1984 e tri estadual de 83 a 85.
A constatação era óbvia: o esquema 3-5-2 estaria matando a galinha dos ovos de ouro do futebol pentacampeão do mundo, com técnicos dos times das divisões de base optando por escalar suas equipes com três volantes no meio.
Em dezembro passado, o ex-atacante Bismarck, hoje empresário, lamentou não ter visto no Brasileiro sub 20, em Porto Alegre, um só meia que merecesse um investimento, carência já diagnosticada no campeonato que corou os argentinos Conca, D"Alessandro e Montillo.DESPERDICIO DE TALENTOS
Investir no talento não é ficar esperando que as coisas caiam do céu, mas tomar a iniciativa, se mover, ir atrás e literalmente descobrir nos campos de futebol aqueles meninos que farão a grande diferença. Após, deveremos despertar neles a capacidade de acreditarem e seguirem em frente. Uma vez que a semente está dentro deles, é nossa obrigação proporcionar as condições ideais para que ela se transforme em uma grande arvore frutífera.
Os dois principais fatores que tem dificultado o surgimento de grandes jogadores são:
1. Observadores e olheiros sem capacidade para a função;
2. Técnicos preocupados com sistemas e esquemas táticos, deixando em segundo plano a qualidade técnica e o desenvolvimento das habilidades naturais dos atletas.
Com a implantação desses esquemas 3-5-2/3-6-1 nas categorias de base estamos desperdiçando ótimos talentos, que acabam se perdendo no caminho porque nossos treinadores priorizam as conquistas de títulos e não a formação do atleta e do ser humano. O esquema a ser utilizado na base deve ser o 4-4-2/4-3-3 e isso deveria tornar-se obrigatório por lei. São eles que mostram as verdadeiras funções de um atleta em campo e o técnico que inventar algo diferente disso deveria ser preso. 
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
DADÁ MARAVILHA - A LENDA
"Me diz o nome de três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá Maravilha."
"Não existe gol feio. Feio é não fazer gol."
"Um rei tem que ser sempre recebido por bandas de música."
"Pra fazer gol de cabeça era queixo no peito ou queixo no ombro."
"Com Dadá em campo, não há placar em branco."
"Pelé, Garrincha e Dadá tinham que ser curriculum escolar"
"Faço tudo com amor, inclusive o amor"
"Nunca aprendi a jogar futebol pois perdi muito tempo fazendo gols"
"Só existe três poderes no universo: Deus no Céu, o Papa no Vaticano e Dadá na grande área".
"Chuto tão mal que, no dia em que eu fizer um gol de fora da área, o goleiro tem que ser eliminado do futebol."
"A área é o habitat natural do goleador, nela ele está protegido pela constituição, se for derrubado é pênalti"
"Num time de futebol existem nove posições e duas profissões: o goleiro e o centroavante"
"Bola, flor e mulher, só com carinho"
"Fiz mais de 500 gols, só correndo e pulando."
"Quando eu saltava o zagueiro conseguia ver o número da minha chuteira"

domingo, 23 de janeiro de 2011
JORGE MACHADO ESCLARECE
O MERCADOR DE CRAQUESPor Andreas Muller
Quem vê Jorge Machado pela primeira vez sequer desconfia que está diante de um dos mais poderosos empresários de futebol do Brasil. Com os cabelos desgrenhados, a camiseta para fora das calças e os ponteiros de um Tag Heuer cromado no pulso, Machado não se parece em nada com um homem que realiza negócios milionários no mercado da bola – a não ser, talvez, pela semelhança com o craque argentino Maradona. “Se eu uso óculos escuros, me pedem até autógrafo”, diverte-se. Machado bem que tentou se firmar como jogador de futebol. Mas foi fora dos gramados, montando equipes e vendendo atletas, que este gaúcho de Erechim construiu sua verdadeira fama. Hoje, aos 45 anos, Machado é “dono” de 600 jogadores brasileiros e estrangeiros. Em pelo menos duas ocasiões, seus craques foram negociados com a Europa por mais de US$ 30 milhões – o que lhe assegurou um lugar na lista dos 50 maiores empresários de futebol do mundo. Nesta entrevista para Amanhã, Machado conta como é o desafio de administrar a vida de um profissional tão badalado quanto o jogador de futebol. E afirma: não há Lei Pelé capaz de conter a vocação brasileira para formar grandes craques.
AM - O torcedor vê o empresário de futebol como um vilão: um sujeito não muito ético, que acelera a debandada dos grandes jogadores brasileiros para a Europa. Como é possível prosperar carregando esse tipo de imagem?
JM- A verdade é que o torcedor não conhece bem a atividade do empresário. O que o torcedor vê é só o que está em evidência: é o empresário que vende o grande jogador, o Rivaldo, o Rafael Sóbis... e lucra em cima disso. Ninguém vê o outro lado. Hoje pela manhã, enquanto caminhava na esteira da minha casa, eu vi uma reportagem muito interessante na ESPN Brasil. Mostrava que, estatisticamente, 99% dos jogadores brasileiros ganham menos de um salário mínimo. Só 1% ganham mais de R$ 4 mil. E olha que eu estou falando dos que têm clube para jogar. Hoje, quase 15% dos jogadores brasileiros estão desempregados. Mas eu, sozinho, sustento mais de 600 atletas no país inteiro. Preciso disso, faz parte da minha atividade. Mas isso ninguém vê. O nome do empresário só aparece quando surge um grande negócio.
AM -Você “sustenta” os jogadores?
JM- Sim, e alguns deles são garotos de 12 anos. No Mogi Mirim, de São Paulo, tenho 70 moleques. No Internacional, de Porto Alegre, eu tenho parceria com 18 jogadores. Também tem gente no São Paulo, no Flamengo, no Grêmio e em vários outros clubes. Em alguns casos, sustento o garoto e todo o resto da família. Faz parte da atividade. É preciso apostar naqueles que podem vir a ser grandes jogadores. Mesmo assim, não é um negócio simples. A maioria deles nunca estoura.
AM - Quer dizer que a atividade não é tão rentável assim?
JM - Não, não quero dizer isso. A profissão é muito boa, muito rentável. Quando você consegue achar um jogador como o Rivaldo ou como o Pato (Alexandre Pato, revelação do Internacional cujos direitos pertencem ao empresário Gilmar Veloz), é quase como ganhar na Loteria Esportiva. Mas, para isso, você tem de pegar mais de 600 atletas, como eu, para conseguir tirar dois ou três bons negócios por ano.
AM - Você acha que existe má vontade contra o empresário de futebol?
JM - A mídia e os torcedores encaram o empresário pelo lado ruim. Colocam que é aproveitador, que não tem ética etc. Mas pega a CPI do Futebol: 18 dirigentes foram indiciados e nenhum deles era empresário. E todo mundo achava que eram os empresários os vilões da história.
AM - Mas você paga impostos, encargos trabalhistas e essas taxas que qualquer empresa paga?
AM - Como se entra nessa atividade? O que é preciso para se tornar um empresário de futebol?
AM - No seu caso, como foi?
JM - Eu comecei por acaso, há 13 ou 14 anos. Eu havia largado o futebol (Jorge Machado foi jogador profissional até os anos 90) e inaugurado uma lojinha no interior de São Paulo. Uma noite, eu estava numa churrascaria sem ter o que fazer e, de repente, na mesa do lado, vi o Pinga, um ex-zagueiro que havia sofrido uma lesão muito grave. Eu o conhecia, tinha jogado com ele na categoria infantil do Internacional. Ele me pediu: “Olha, eu joguei em muitos times aqui do interior de São Paulo, será que você não consegue um timinho para eu jogar?”. Então eu liguei para o presidente do Ituano, clube em que eu também havia jogado. Ele gostou da idéia de ter o Pinga e aí eu passei os contatos. Três dias depois, eu recebi um telefonema do presidente do Ituano pedindo o número da minha conta bancária, que ele queria me mandar uma comissão. Foi aí que me deu o estalo. Comecei a procurar jogadores, refazer alguns contatos. E eu conhecia o Branco, o Dunga, o Raí... Todos eles me ajudaram muito a entrar nessa atividade.
AM - Quanto você ganhou no seu primeiro negócio?
JM - Um dos meus primeiros negócios foi com o Ypiranga, de Erechim. Na época, eu conhecia o Antônio Luís Dalprak, que era presidente do clube. Eu levei para ele um ponta-esquerda chamado Alexandre e ganhei R$ 50 de comissão.
AM - Desde então, qual foi o melhor negócio que você já realizou?
JM - Foram dois. Um deles, a venda do Rivaldo, que então jogava no La Coruña, da Espanha, para o Barcelona. Saiu por US$ 32 milhões, na época. A outra grande venda foi a do Fábio Rockembach (ex-atleta do Internacional), que também atingiu os US$ 32 milhões. É lógico que só uma partezinha desses valores ficou comigo. Geralmente, uma negociação desse tamanho tem seis, sete pessoas envolvidas. Mas fiz a minha carreira. Já não consigo mais imaginar o que teria acontecido comigo se eu não virasse empresário. Acho que acabaria como porteiro de bordel. (risos)
AM - Qual é o tamanho do seu patrimônio hoje?
JM - Olha, eu vim do interior e, por princípio, não fico aí dizendo quanto dinheiro eu tenho. Posso dizer que, financeiramente, eu nunca mais tive nenhuma preocupação. Tenho uma vida confortável, que me deixa feliz.
AM - O que é mais difícil na atividade de empresário?
JM - É cuidar do garoto. É manter ele firme no objetivo de se tornar um craque. Eu, como jogador de futebol, só perdia. Nunca ganhei, eu era um derrotado. Hoje, eu uso as minhas derrotas como exemplo para os garotos. O empresário tem de gerenciar a carreira do jogador, ajudá-lo a superar dificuldades. Tem muito jogador bom que, hoje, passa por uma dificuldade enorme porque não sabe se cuidar.
AM - Mas você cuida de tudo? Inclusive os gastos do jogador?
JM - Não, eu não me meto no lado financeiro do atleta. Em geral, os empresários e os dirigentes são paternalistas demais. E o resultado é que o jogador nunca aprende a cuidar do próprio dinheiro. Quantas vezes ouvimos falar de atletas que perderam tudo? Jogador meu não tem conselho financeiro nenhum. Ele gasta o dinheiro como quiser, eu só deposito na conta. Ele precisa entender que quem ganha fácil também perde fácil. Eu procuro lidar mais com a motivação, com o planejamento da carreira.
AM - Você se considera um bom gestor de pessoas?
JM - Na tarefa de gerenciar a carreira de jogador de futebol, eu me considero um doutor. Eu nasci dentro disso. Eu sei quando gritar e quando passar a mão na cabeça. E é uma coisa difícil, hein... A maioria dos jogadores sai de casa com 11, 12 anos e cai direto na vida profissional. Eles queimam etapas e, quase sempre, se tornam pessoas muito carentes. Aí eles pegam o empresário, a sogra ou a própria namorada como “âncora”. É uma relação muito delicada. E quando há lesão, então, nem se fala... Eles perdem totalmente a confiança! Pode ser o Raí, pode ser o Pelé, não importa: jogador lesionado se deprime. Ele perde a glória. Entra no vestiário e ninguém o procura para pedir entrevista. O empresário precisa ajudar nessa hora.
AM - Muitos jogadores têm uma predisposição a cair na noitada... Como se gerencia isso?
JM - Com 20 e poucos anos e uma conta bancária milionária, qualquer pessoa tem predisposição a cair na noitada. O importante é não extrapolar. Tem de fazer a coisa dentro de um limite. Do contrário, são eles mesmos que saem perdendo. Eu não digo que a carreira do jogador é curta, e sim muito longa. Eles vão ganhar, até os 34 anos, o que muitas pessoas não ganham em 70 anos. Eles precisam trabalhar para que toda a sua vida – e não só a carreira – seja estável e os recursos não se acabem cedo.
AM - E como você cuida do seu próprio dinheiro? Onde você aplica?
JM - Minha vida é bem simples. Meu dinheiro está no banco, aplicado. Compro jogador de futebol e vendo jogador de futebol. Não entro em nenhum negócio que eu não conheço. Não construo nada, não arrisco nada. Procuro fazer o trabalho que eu conheço, que eu sei fazer. Tem muito jogador de futebol que ganha uma fortuna e o que ele faz? Ele vai lá e compra um posto de gasolina. Mas o cara não sabe nem qual é a cor de um litro de gasolina! Aí perde quase tudo e, com o que sobra, vai lá e compra uma farmácia... Não dá. É claro que eu recebo propostas diárias de investimento. Mas eu só acredito no meu negócio. “Achar um jogador como o Rivaldo é como ganhar na loteria. Mas, para isso, você vai ter de apostar em uns 600 garotos – sabendo que a maioria deles nunca vai deslanchar”
AM - Até que ponto o sucesso do empresário está relacionado à vigência da Lei Pelé?
JM - A Lei Pelé facilitou, mas não muito. Pessoalmente, eu sou contra. Para o empresário, não adianta nada ter a facilidade para fazer negócio se os clubes estão falidos. Os clubes precisam ter força para formar e comprar atletas. Mas todos os clubes do Brasil, com exceção de dois ou três, estão quebrados. Isso não é bom pra ninguém. Eu fazia muito mais negócio antes da Lei Pelé. As equipes tinham mais poder e eu podia trabalhar em outras áreas, além de compra e venda de jogadores – por exemplo, atuando como olheiro ou montando equipes inteiras. A Lei Pelé permite que um dono de churrascaria vire empresário. Aquele ali é bom? Vai lá e compra. Isso igualou todo mundo por baixo.
AM - E para os jogadores? Houve alguma melhora ou a situação também piorou?
JM - Piorou. Eu aposto com você: se fizermos uma análise estatística, vamos descobrir que tem muito mais jogadores à beira da miséria hoje. Com a Lei Pelé, muitos clubes perderam o interesse de investir na formação do jogador, simplesmente porque ele não dá mais retorno. Antes, eu conseguia me sustentar só com os clubes que assessorava no interior de São Paulo. Eu montava times inteiros e ganhava comissões, dava para me sustentar o ano todo. Hoje, colocar um jogador no interior de São Paulo é difícil, até porque o clube pequeno não tem condições de pagar nada. O Mogi Mirim, por exemplo, era um dos clubes que mais formavam atletas no futebol brasileiro. Hoje, eles só têm a categoria dos juniores, que a Federação Paulista de Futebol obriga a ter. Em outros tempos, eles tinham garotos de 14 a 20 anos. Eram 300, 400 moleques, sendo que 80 deles acabavam se arranjando na vida. Hoje, esses garotos estão na rua.
AM - Mas o futebol brasileiro continua sendo um dos melhores do mundo. De onde estão saindo nossos craques?
JM - Os grandes clubes continuam tendo estrutura de base, de formação. Para segurar um garoto de 16 anos, por exemplo, o clube é obrigado a ter contrato profissional. E o custo disso é de R$ 700 por mês. Os pequenos não têm como bancar.
AM - A proposta de transformar os clubes em empresas ajudará a segurar nossos jogadores aqui?
JM - Olha, temos de parar com esse negócio de achar que estamos “perdendo” jogadores para o exterior. Deixar de vender um jogador como o Pato ou o Lucas (Lucas Leiva, volante do Grêmio) para o exterior seria uma irresponsabilidade. Graças a eles, os clubes daqui conseguem formar novos garotos. Com a Lei Pelé, o Brasil não tem recursos para segurar Pato, Lucas, Robinho, Ronaldinho etc. Não tem condições de segurar ninguém. Com a lei, nós somos só fornecedores.
AM - Mas essa capacidade de fornecimento não está ameaçada com a falência geral dos clubes?