sábado, 18 de julho de 2009

PENSANDO O FUTURO - COPA LUPI MARTINS

PARTE 16 - COPA RS
Fazia parte do projeto que elaboramos disputar competições durante segundo semestre, pois já pensávamos no planejamento de equipe para o ano seguinte e não poderíamos correr o risco de iniciar todo trabalho de montagem de grupo e o trabalho da estaca zero novamente como aconteceu no inicio da temporada 2008. Analisamos e discutimos muito antes de decidirmos pela participação do clube porque sabíamos que seria uma competição deficitária e que não teríamos o apoio necessário. Duas dúvidas existentes nos custos para a Copa RS eram sobre o transporte da equipe e a arbitragem e a única possibilidade de não jogarmos seria falhar alguma delas. Depois do Presidente da FGF Francisco Novelletto garantir o pagamento dos árbitros fomos falar com o Prefeito que nos garantiu pagamento dos ônibus pela Prefeitura Municipal. Nossa estréia estava marcada para a cidade de Canoas onde enfrentaríamos a Ulbra numa quarta-feira a tarde e estranhamente no dia da viajem recebemos uma ligação da secretaria da empresa de transportes nos informando que por ordem do Prefeito estava cancelado o serviço. Foi uma atitude covarde e irresponsável para não dizer coisas piores e sem tempo pra procurar entender o que havia acontecido fomos resolver o problema e encontramos a solução para aquele dia através de um colaborador do Clube. Agora vamos pensar juntos sobre nossa decisão.
Disputando a Copa RS:
1.
Clube aberto ano todo;
2. Manter um grupo de trabalho preparado para a próxima temporada;
3. Promoção dos nossos atletas;
4. Observar atletas a custo baixo, jovens e de qualidade para compor a equipe futura;
5. Nossos atletas tinham possibilidade de evolução, mas isso só poderia acontecer trabalhando e jogando;
6. Clube na mídia;
7. Responsabilidade social com os meninos vinculados ao Clube;
8. Manter chama do nosso torcedor acesa;
9. Iniciar próximo ano tendo uma base de time equilibrada;
10. Iniciar próximo ano sabendo exatamente o trabalho a ser desenvolvido;

Não disputando a Copa RS:

1. Clube fechado durante seis meses;
2. Iniciar os trabalhos em janeiro do ano seguinte sem nenhum atleta e sem comissão técnica;
3. Perder para outros clubes os atletas vinculados e que estavam sendo preparados;
4. Iniciar próximo ano sem patrocínio, sem planejamento, sem investimentos, sem sócios, sem jogador, ter que sair atrás de doações e esmolas para termos o mínimo necessário para reformas no estádio, pagamentos das contas, enfim iniciar tudo de novo;
5. Ter que montar toda diretoria novamente porque apesar de nosso mandato ser de dois anos não teríamos motivação para começar novamente do zero;
6. Clube fechado acaba esquecido;

segunda-feira, 13 de julho de 2009

PENSANDO O FUTURO - MERECIMENTO

PARTE 15: A CONQUISTA DEVE SER MERECIDA
Numa fase final de qualquer competição é preciso verdadeiramente merecer estar no topo. Nossa equipe de atletas, funcionários do clube, a diretoria juntamente com a comissão técnica se uniu e se preparou arduamente desde o inicio dos trabalhos para conquistarmos uma das vagas à primeira divisão, mas no momento em que os times se igualam uns aos outros na decisão, a grande diferença daqueles que chegam à frente vem de dois fatores essenciais para as vitórias: o APOIO do TORCEDOR e o RECURSO FINANCEIRO e infelizmente não tivemos nenhum deles e acabamos exatamente no lugar onde deveríamos estar e se para nós do clube não atingimos o objetivo final e se não chegamos onde gostaríamos, devemos também ter a consciência de que fomos muito além do que todos esperavam. Acabamos a segundona na quinta colocação, ficando aquele gostinho amargo de “poderíamos ter chegado” se nos fosse proporcionado o apoio necessário e prometido para encararmos as outras equipes em condições de igualdade fora dos gramados, pois dentro de campo estávamos tranqüilos. Nosso grupo era unido, sonhador, dedicado, bem comandado e focado no objetivo, mas chegaram ao seu limite com os problemas do clube e que influenciaram diretamente na eficiência e eficácia dos nossos atletas. Despedimos-nos de um campeonato que teve seis meses de duração, com mais um de preparação e nesse período procuramos fazer aquilo que acreditamos ser o ideal para um clube de futebol profissional. Nunca fugimos dos problemas que se apresentavam diariamente e tampouco transferimos responsabilidades para diretorias passadas, pois sabemos que todos tiveram seus erros e acertos e não seria diferente conosco, mas é sempre importante saber por que se errou, fazer uma retrospectiva e não cometer os mesmos equívocos. Agora precisávamos preparar o clube para o próximo ano e foi pensando nisso que resolvemos disputar a Copa Lupi Martins no segundo semestre.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

PENSANDO O FUTURO - UNINDO FORÇAS

PARTE 14: UNINDO FORÇAS
Estávamos entrando numa fase decisiva da competição em que todos os jogos seriam disputados pelas oito equipes classificadas como se fosse o último de suas vidas e os pequenos detalhes seriam decisivos para o sucesso do nosso projeto. Palestras motivacionais, concentração antes dos jogos, alimentação adequada, fisiologia e a fisioterapia atuando diretamente com o grupo para melhorar a eficiencia do trabalho seriam fatores determinantes para buscarmos o ascesso à primeira divisão. Além disso, precisávamos pagar os salários atrasados antes da estréia para que todos pensassem apenas no primeiro jogo e foi pensando nisso que eu e o Maza fomos visitar algumas pessoas influentes e com prestigio em nossa comunidade, convidando-as para juntarem-se a nós em mais esse desafio. Foi numa dessas visitas que visualizamos uma possibilidade de mudarmos a história e vivermos um novo período no clube. Após uma reunião com nosso grande amigo Hélio Lawall ficamos otimistas, pois ele se comprometeu em reunir um grupo de torcedores para nos auxiliar nessa fase final. Foi marcado pelo Hélio almoço no Moto Clube de Venâncio Aires em que foram discutidos vários assuntos referentes ao Guarani e todos se colocaram a disposição para colaborar e trabalhar em prol do clube. Desse encontro resultaram os patrocínios da Metalúrgica Muller e do Supermercado Lehma dos empresários Sérgio Muller e Jair Lehmen para as camisas do time, além da venda de uma ação entre amigos que seria realizada por todos. Estava formado o GRUPO DE APOIO. Fotos: blogdoelton.wordpress.com
Foto 01: Hélio Lawall
Foto 02: Flavio Bienert, João Laindecker e Vanderlei Algaier
Foto 03: Danino Heinen, Velton Detenborn, Jair Lehmen e Valter Kuhn


O grupo de apoio também marcou audiência com o prefeito para analizar a situação e tentar fazer com que liberasse os recursos que todos os anos são disponibilizados ao clube e que até aquele momento nada havia acontecido nesse sentido. No dia e horário marcado lá estava nossa diretoria, toda comissão técnica e mais de trinta empresários do município exigindo uma posição favorável por parte dele. A reunião só chegou ao final quando ouvimos da boca do prefeito que enviaria auxilio de R$ 50.000,00 para disputarmos o restante da competição. Saimos todos satisfeitos e em seguida passamos a fazer novo planejamento contando com esse valor. Pasmem, pois não passou de uma promessa que prejudicou ainda mais nosso trabalho, pois nos planejamos para novos investimentos e garantimos aos atletas que teria verba suficiente para enfrentarmos o octogonal em igualdade de condições com os outros clubes. MAIS UMA VEZ A DECEPÇÃO.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

PENSANDO O FUTURO - CHEGAMOS AO OCTOGONAL

PARTE 13: CHEGAMOS AO OCTOGONAL
Durante o jogo procurei não acompanhar os outros resultados, mas não tinha como isso acontecer, pois por onde andava no estádio alguém gritava me avisando já que muitos torcedores estavam com os radinhos ligados no ouvido. Faltavam dez minutos, para o final, nós vencendo, mas um resultado não nos ajudava que era o empate entre Riograndense x Farroupilha. Derrepente uma vibração no estádio, eu estava nas arquibancadas e os torcedores me abraçando, era o gol do Farroupilha que nos dava a condição de seguir em frente na competição. Não durou muito e mais um grito da torcida, tinha acabado jogo de Pelotas e percebi que alguns atletas nosso já comemoravam dentro de campo, mas aqui ainda precisávamos confirmar a vitória. Jogo já nos acréscimos comecei agradecer a todos que encontrava e me desloquei até as cadeiras numeradas porque lá estavam alguns amigos que precisava abraçar e dizer o quanto estava grato a eles que sempre acreditaram e nunca abandonaram o clube. Juiz apita final do jogo, torcedores felizes mais uma vez, time todo vibrando no campo, mais um momento mágico. Chamaram-me no vestiário e chegando lá o Maza veio ao meu encontro e nos abraçamos e em seguida os atletas estavam todos juntos conosco. MAIS UMA META ATINGIDA.
Foto 01: Felipe marca o gol que nos daria a vitória. Cirilo, Cadú, Japa e Beto comemoram;
Foto o2: Caçapava, Afonso e Alexandre vibram classificação;
Foto 03: Mazaropi eufórico;
Foto 04: Maza, Chico, Alex Klafke se abraçam e ao fundo o Dr Fernando Kaufmann.

Fotos: Rui Borgmann (Jornal Folha do Mate)

PENSANDO O FUTURO - RUMO AO OCTOGONAL

PARTE 12: RUMO AO OCTOGONAL
Foi uma das maiores emoções já vividas no estádio Edmundo Feix. Dia 15/06/2008, domingo, último jogo da segunda fase, jogávamos em Venâncio contra o Pelotas precisando da vitória e torcer que outros resultados nos favorecesse. Três equipes disputavam duas vagas e a única que não dependia apenas das suas forças era a nossa, pois tínhamos que torcer pela derrota do Riograndense de Santa Maria ou do Avenida de Santa Cruz. Falei para a comissão técnica que gostaria de conversar com o grupo quinze minutos antes da palestra do Mazaropi. No horário marcado nos dirigimos todos ao vestiário e tivemos um papo que jamais esquecerei. Agradeci o esforço que todos tiveram até aquele momento, passando por situações que talvez jamais encontrem no futuro, mas que certamente serviram para o crescimento pessoal e profissional de cada um deles, fortalecêndo a todos para novos desafios. Ali se tornaram guerreiros leais a uma causa que estava acima de qualquer valor financeiro que o clube pudesse lhes proporcionar. Pedi que controlassem a ansiedade e até mesmo a curiosidade em saber sobre os outros jogos e se concentrassem apenas no nosso, respeitando o torcedor que estaria presente, jogando com garra e principalmente com alegria. Deixei claro que independente do resultado final daquele domingo, nossa missão estava completa, pois mostramos que é possível fazer mais com menos e acreditar em algo que não era palpável, mas com amizade, comprometimento, dedicação, foco voltado sempre ao objetivo final, poderíamos materializar tudo que nos propomos desde o inicio do trabalho. Particularmente não acredito em time bom, mas em grupo forte, leal e totalmente comprometido e isso nós conseguimos mostrar para aqueles atletas que estavam ali conosco pensando e andando juntos pelo mesmo caminho. É claro que queríamos muito aquela classificação, mas precisava passar essa tranqüilidade a eles. Imaginem todo grupo de jogadores sentados a minha frente com a comissão técnica ao meu lado de pé, derrepente um deles me olha e fala: “PRESIDENTE, FICA FRIO, ESTAMOS CONTIGO E VAMOS CONTINUAR POR MAIS ALGUM TEMPO JUNTOS PORQUE NÓS VAMOS PASSAR POR MAIS ESSA” e todo grupo veio me abraçar. Ao fundo tocava a música que adotamos no primeiro jogo “Nunca deixe de sonhar” do grupo KLB que traduzia o momento nosso e do clube.
Foto 01: Japa passando por dois adversarios;
Foto 02: Caçapava observado por Edimar.
Fotos: Rui Borgmann (Jornal Folha do Mate)

sábado, 27 de junho de 2009

PENSANDO O FUTURO - FISIOLOGIA

FISIOLOGIA (Dr. Arthur Guzzo).
Dando suporte à atividade física, em especial ao desporto futebol, a fisiologia do exercício assumiu nas duas últimas décadas do século XX, um grande aspecto de importância. Resultados precisos e a evolução dos profissionais da área fazem com que essa disciplina tenha além de status, um grau de eficiência e eficácia considerável para os componentes da comissão técnica e por tabela do atleta. Programação de treinos, periodização das atividades e outras vertentes do treinamento, são calcadas com bases de informações e influências fisiológicas. Hoje em dia, clubes que tem em seu corpo técnico, profissionais compromissados com a coerência e cientificidade, analisam até as escalações, já que as análises fornecidas pelos fisiologistas são decisivas para determinar o nível de desgaste dos jogadores e mostrar quais precisam se recuperar mais ou até jogar mais. Portanto, através dos dados apresentados pelos fisiologistas, a manutenção e elevação dos pontos positivos dos atletas, além de ações direcionadas à correção das imperfeições, são possíveis de serem trabalhados de maneira mais próxima da correta possível pelos preparadores físicos e treinadores. Além de se tornar mais eficiente é a dosagem de volume e intensidade de esforço em treinos e jogos. Abaixo: Dr Arthur (Estádio La Bombonera) Argentina.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

PENSANDO O FUTURO - SEGUNDA FASE

PARTE 11: SEGUNDA FASE
Sentamos com a comissão técnica para planejar mais esse desafio que viveríamos e a melhor maneira de encontrar um novo caminho é saber exatamente como foi à passagem pelo anterior. Fizemos então uma retrospectiva desde o inicio dos trabalhos e descobrimos algumas falhas que teríamos que evitar futuramente. Nossa equipe tinha garra, comprometimento, qualidade, disciplina, lealdade, mas era jovem, inexperiente e imatura e essas dificuldades poderiam ser determinantes para as nossas pretensões na competição. Precisávamos contratar alguns jogadores maduros com currículo vencedor, mas tínhamos um grupo muito fechado, que se ajudava, que era leal um ao outro e teríamos que ser muito habilidosos na condução desse trabalho, correndo inclusive o risco de por tudo a perder, mas o que não se pode fazer é errar pela omissão. Outro ponto a ser levado em conta era a situação financeira, pois estávamos decididos a reforçar o time, mas teria que ser dentro dos padrões salariais que todos estavam enquadrados, para evitar dúvidas sobre a lealdade que nossa diretoria tinha com todos, mas principalmente porque existia um teto e não poderíamos passar dele. Reforçamos com o zagueiro Cirilo, o lateral e meia esquerdo Kiko, lateral direito e volante Polaco, os volantes Cadú identificado com o clube e o Beto natural de V. Aires. Também pensando no projeto de longo prazo buscamos um fisiologista para montar esse novo departamento no clube, que nos dias de hoje é fundamental para a eficácia de todo o trabalho. O Dr. Arthur Guzzo Fraccanabbia havia trabalhado em vários clubes, entre eles o Boca Juniors da Argentina e quando falou conosco topou o desafio e veio fazer parte da nossa equipe. Estávamos pensando e trabalhando para que num futuro próximo o Guarani tivesse alguns diferenciais perante os outros clubes, colocando a tecnologia para trabalhar a nosso favor. Abaixo: Dr Athur (fisiologista).

A atuação do fisiologista no futebol deve ter seu trabalho associado ao Departamento de Futebol/ Comissão Técnica: treinadores, auxiliares, preparadores físicos e preparadores de goleiros. Departamento Médico: de Fisioterapia, Nutrição e Psicologia. A Integração total com o preparador físico é fundamental. Assim, atualmente o Departamento de Fisiologia do Esporte (Futebol) tem como funções específicas: O planejamento do sistema de avaliação fisiológica: rotinas, testes, especificidades por categorias; O acompanhamento transversal e longitudinal dos efeitos e adaptações funcionais em decorrência do treinamento; A investigação, detecção e reflexão sobre os aspectos relacionados à assimilação das cargas físicas e seus efeitos; A detecção de situações isoladas de overtraining (supertreinamento e desgaste excessivo), através de avaliações de desempenho e bioquímicas; O acompanhamento das cargas de trabalho e desgaste físico durante jogos e treinamentos, fornecendo ao preparador físico, mais subsídios para o acompanhamento do processo recuperativo e evolutivo.

PENSANDO O FUTURO - A CLASSIFICAÇÃO

PARTE 10: A CLASSIFICAÇÃO
Nosso primeiro objetivo dentro da competição havia sido conquistado. Passar para a segunda fase em cima de todas as dificuldades que estávamos vivendo já era um lucro imenso para o clube, mas no futebol tudo que se fez anteriormente só terá valor se continuar prosseguindo em frente, fazendo os resultados aparecerem e o próximo passo seria visualizar o octogonal final. Reunimos o grupo dois dias após a classificação e percebemos nos olhos daqueles atletas que conseguiríamos mais esse feito. Tivemos nesse primeiro momento que passar por cima de muitas situações inusitadas que atrapalharam muito nosso trabalho. Uma delas foi o tempo que tivemos para montar o grupo, pois o clube não tinha nenhum atleta vinculado e precisamos iniciar tudo da estaca zero, definir a equipe base e depois treinar essa equipe deixando-a pronta para a estréia que seria em menos de duas semanas. Depois foi a negativa do prefeito em auxiliar o clube no seu pior momento e que mais necessitava desse apoio, pois não estávamos solicitando nenhum valor a mais daquele que anualmente era disponibilizado ao Guarani, pelo contrário, nosso pedido foi bem abaixo porque entendemos que um clube de futebol profissional deve ter vida própria e não ficar dependendo do Poder Público para tudo e a vida toda, pois sabemos que existem necessidades básicas que o município deve atender e muitas vezes os recursos nao são suficientes, mas isso é um processo que deve ter seu inicio embasado num planejamento de médio e longo prazo e não era esse o momento de dizer não a instituição. Estávamos iniciando um projeto novo, diferente, que no seu primeiro ano passaria por grandes dificuldades financeiras, mas tínhamos a certeza que no próximo haveria uma evolução. As coisas no futebol não acontecem quando queremos, é preciso ter a convicção do caminho que se esta seguindo e se preparar para quando as oportunidades aparecerem estar pronto para agarrá-la. PRIMEIRA META CONQUISTADA. Acima: Japa e Afonso. Abaixo: Time de estréia.

Fotos: Rui Borgmann (Jornal Folha do Mate)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

PENSANDO O FUTURO - AMADOR


Equipes de 93/94 Foto: Fernando Becker (RBS)

PARTE 09: AMADOR
Esse departamento já realizou grandes trabalhos no Esporte Clube Guarani, sendo responsável pela formação de vários atletas de destaque nacional e internacional. Lembro muito bem do ano de 1990 quando o Presidente era o Dr. Celso Artus e naquela época já se tinha a visão de que o clube só sobreviveria no futuro formando atletas em casa. Foi um belo inicio e os bons resultados começaram a aparecer após 1992 quando formaram uma diretoria que cuidava exclusivamente das categorias de base. Os diretores eram o Dr. Jorge Nazário, Hilário Breunig e o Paulo Battisti (Pauleta) e ali surgiu o profissional Mano Menezes que hoje está entre os melhores técnicos do país. Tenho orgulho de escrever sobre essa época porque fiz parte desse trabalho como auxiliar do Mano no ano de 1993 e foi nesse período que começou a surgir atletas de destaque e que renderiam altos valores aos cofres do clube. Foram quatro anos de trabalho desse grupo (92, 93,94 e 95) que possuía orçamento próprio e foi esse o diferencial administrativo e responsável em grande parte pelos resultados obtidos. A próxima diretoria muito bem organizada do amador e que também pautou todo planejamento em cima de um orçamento próprio e criado para investimentos nas categorias de base veio no ano de 1997, se estendeu até 1999 e era liderada pelo diretor Elton Etges que montou uma equipe de trabalho atuante e que também foi responsável por descobrir algumas pédras preciosas, entre elas o técnico da equipe de juniores Chicão que iniciava sua carreira profissional. Uma das mais importantes descobertas foi sem dúvida do atacante Baré que até os dias de hoje rende valores importantes ao clube. Ele atuava pela equipe de juvenis que era treinada inicialmente pelo Oscar Schwingel (Bofa) que o descobriu e posteriormente assumiria o Oneide Dallafavera que realizaria o trabalho final de lapidar e formar o atleta. Essas duas diretorias tinham algo em comum. Buscavam seus próprios recursos separando bem o amador do profissional evitando qualquer tipo de interferência ao trabalho.

1ª foto: Elton, Kinho, técnico juvenil Bofa, Cabelo e Sidênio.
2ª foto: Atleta Baré.
3ª foto: Equipe de juniores do técnico Chicão.


Foto: Elton Etges


Para que fique bem entendido é preciso dar uma volta no tempo. Lembro do ano de 1986 quando fui jogar nos juniores do Internacional de Santa Maria, pois foi o período em que mais se descobriu bons jogadores para o clube, entre eles: João de Deus, Sandro Gomes, Sandro Corrêa, Faller, Éder Luiz, Tigre, Rogerinho, Índio, Luiz Paulo, Jaime. Talvez esteja esquecendo de alguém, pois foram muitos, mas os que citei fizeram história no futebol. Lá existia um grupo que cuidava do amador com recursos próprios. Um ano antes em 1985 foi campeão gaúcho da categoria Junior a equipe do Brasil de Pelotas que atingiu esse resultado graças a uma diretoria que buscava patrocínios apenas para a base. Alguns atletas formados pelo clube e que viriam futuramente se destacar no futebol gaúcho foram: Dias, Jair, Gilvan, Marco Aurélio, Renatinho, Álvaro, Jéferson, entre outros. Aqueles que acompanhavam futebol nos anos 80, vão lembrar desses nomes e que alguns de ambos os clubes tiveram destaque internacional.

Faço essa analogia para mostrar que no futebol não existe segredos nem mistérios. Tudo o que se precisa fazer é copiar, sem querer inventar, sem querer ser diferente, sem querer ser o melhor ou o salvador da pátria. No futebol as coisas acontecem rápido e a legislação desportiva se tornou cruel com aqueles que tem dificuldade em evoluir, aprender e entender queesse esporte a muito tempo virou negócio e não tem mais lugar para amadores, para apaixonados. Nos clubes grandes a sustentação financeira das categorias de base vem de um percentual do orçamento anual que é destinado para essa finalidade, mas nos clubes pequenos a saída além da profissionalização dos dirigentes que comentaremos mais na frente, ainda é separar os recursos. Profissional e amador atuando juntos, em plena sintonia, mas cada um gerando seu próprio recurso e desenvolvendo seu trabalho. Ainda é preciso da paixão, até porque estamos falando de um esporte que é movido por ela, mas apenas isso não resolve a vida dos clubes a muito tempo.

DECISÃO DIFICIL
Em 2008 montamos uma equipe para cuidar do departamento amador, pois acreditávamos que aquele era o momento ideal de realizar novamente um trabalho planejado, organizado e arrojado na base. Iniciamos a categoria junior pensando na possibilidade de formarmos também o juvenil. Os recursos financeiros estavam limitados e nossa posição sempre foi à mesma desde o inicio da nossa gestão. A prioridade seria a equipe profissional e paralelamente através de um grupo de dirigentes responsáveis pelo departamento amador seriam gerados os próprios recursos para se desenvolver o trabalho com as categorias de base. As idéias e vontades eram ótimas, mas existe uma distância longa entre desejar e ser possível. Em muitas ocasiões buscamos os exemplos que deram certo no passado e gostaríamos que essas lições fossem seguidas, não por vontade própria, mas pela necessidade e por acreditar que aqueles métodos eram os mais eficientes e o único caminho a ser seguido. Meu coração ficou despedaçado quando tivemos que decidir fechar o departamento amador em função da falta de dinheiro para prosseguir com o trabalho. Ter que demitir uma comissão técnica que esta buscando seu espaço e tirar a possibilidade de um garoto tornar-se alguém importante e com futuro brilhante nos gramados me deixava chateado, mas tínhamos que fazer de tudo para não comprometer todo projeto do time profissional que é a razão principal do clube existir. Sabíamos que esses jovens atletas um dia se casariam, teriam filhos e nós certamente estávamos influenciando na vida de varias gerações futuras, mas fizemos aquilo que precisava ser feito. Essa foi a decisão mais difícil que tomamos no ano.

domingo, 21 de junho de 2009

PENSANDO O FUTURO - OS CAMPEÕES

PARTE 08: OS CAMPEÕES
O sucesso de qualquer projeto depende principalmente da competência e comprometimento total das pessoas que se dispõe a realizá-lo e nosso caso não era diferente. No departamento jurídico contávamos com o advogado Rubiney Lenz, que assumiu as ações trabalhistas do clube e esteve sempre atento aos prazos e datas das audiências sem deixar nada passar sem que fosse bem resolvido. Até processo sem possibilidade de defesa, pois, havia sido julgado a revelia ele tentou reverter, mas infelizmente não tinha mais o que fazer. Alias gerar o processo, até da para entender pelas dificuldades financeiras dos clubes, mas não preparar uma defesa e comparecer as audiências, isso já é uma irresponsabilidade e incompetência muito grande, mas indignação à parte, tratamos de pensar no futuro sem tirar essas tristes lições do passado. Para defender os interesses do clube junto a Federação Gaúcha de Futebol contávamos com o auxilio do advogado João Gabriel (ex-goleiro do E.C. Internacional) que conseguiu sucesso absoluto nos casos com possibilidade de defesa.

No departamento financeiro o responsável foi o economista César Ernsen (atual secretário da fazenda do município) que iniciou algumas inovações no clube, principalmente na sua transparência, publicando o balanço mensal na imprensa local para que todos soubessem onde estavam sendo aplicados os recursos e desenvolvendo controle mais rígido das contas. Em nosso planejamento existiam todas as fontes possíveis e entre elas estava o auxilio do Poder Público que historicamente envia um determinado valor ao clube, mas que nesse ano exclusivamente nos foi negado. No fechamento anual foi exatamente o valor do déficit. Mas o importante foi à evolução desse setor, agora inovado e transparente. Nesse setor também recebemos ajuda com aconselhamentos e sugestões do Giovane Wickert (atual vice-prefeito e secretário de planejamento do municipio) e que fazia parte da nossa diretoria. Abaixo Cesar Ernsen (Vice-Presidente Financeiro).

Foto: Rui Borgamann (Jornal Folha do Mate)